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Sapos do Ano

Evento independente que visa premiar os melhores blogues da nossa praça (não ligado a qualquer plataforma/empresa ou entidade)

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13.11.19

Finalistas 2019 - E agora? Sei lá

Recebemos, na nossa chafarica, a M.J. do blog E agora? sei lá?, finalista na categoria Família.

 

Meus senhores:

Agora que sou mãe, uso carrapito, limpo cacas (reparem que não disse merda, um ponto para mim); aspiro com um aspirador nasal, de pôr na boca, ranhetas; passo noites sem dormir; e tenho roupas com manchas de vomitado, gostaria de vos explicar, num só argumento, porque devem votar em mim para blog do ano nesta categoria tão apropriada:

Argumento único

A mesma pessoa que escreveu os excertos da coluna da esquerda, com o título “Antes” – e cujos posts podem consultar nos devidos links - foi a mesma que escreveu, mais recentemente, os posts da direita, denominada “Agora”:

Antes

Agora

“e se a mãe está cansada porque passou o dia inteiro entre fraldas, mamadas e choro, possivelmente a maior parte da vizinhança está cansada porque passou o dia entre trabalho, stresse e trânsito.

e se os pais estão a morrer de sono por acordar de duas em duas horas, os vizinhos também.

a diferença: os pais ao menos tiveram o proveito de fazer o puto.” https://www.eagoraseila.pt/nao-vale-a-pena-virem-bater-me-ja-1093138

“sempre que acordo às 4 da manhã é como se um comboio me tivesse passado por cima e eu ainda estivesse a perceber se estou morta ou não. ando meia desgrenhada pelo quarto sem saber muito bem onde pegar ou começar.”

https://www.eagoraseila.pt/resumo-dos-quase-4-meses-1234139

 

“juro, e não estou a ser irónica, que quando vi a mãe do meu afilhado a chorar desalmadamente e a dizer-me, quando a cotovelei a perguntar o que se passava, que no fim me dizia, que pensei que a senhora do discurso tinha cancro. incurável. é que foda-se, ninguém podia chorar assim porque o filho ia para o jardim infantil.” - https://www.eagoraseila.pt/da-festa-o-resumo-119014

“se alguém me perguntar se estou a chorar baba e ranho porque o meu menino amanhã vai para a creche (durante hora e meia a um quilómetro de casa) vou negar convictamente e com a mesma veemência com que limpo os olhos, assoo o nariz e tento abafar os soluços.”

https://www.eagoraseila.pt/sou-tao-atrasada-1238661

“declaro aqui, sem qualquer pudor, de quem já foi a alguns e até se dignou mesmo a ir a uma feira de expo coisa, que os casamentos são a maior pirosada à face da terra.

toda a gente de bom gosto concorda.” - https://www.eagoraseila.pt/dos-casamentos-488674

“enganei-me na mão, dentro da igreja e estava convencida que era o rapaz que estava errado. o padre disse que o amor não se faz com a língua e levou a multidão ao delírio. o rapaz mandou um pontapé numa vela à saída da igreja. deixei cair a cauda do vestido na água da piscina enquanto cortava o bolo. não comi absolutamente nada.”

https://www.eagoraseila.pt/houve-casorio-1-932878

 

“…a necessidade de as pessoas transformarem as suas salas de estar em exposições de brinquedos depois de os filhos nascerem.

que os putos precisem de entretenimento até entendo.

que precisem de todos os centímetros da sala para isso ultrapassa-me.” - https://www.eagoraseila.pt/nunca-vou-entender-919426

“há bonecada toda espalhada pela sala. ou bonacos, como se enganou um dia o teu pai e a palavra ficou. apanho-os invariavelmente, todas as noites, para uma caixa que arrumo a um canto da sala. mas o espaço já não é meu. tropeço em peluches, escorrego em rocas, faço soar apitos e sons que saem de bonacos de plástico e tecido.”

https://www.eagoraseila.pt/6-meses-o-resumo-1235106

“apetece-me dizer isto: sou plenamente a favor de sítios que impedem a entrada de crianças (nem sequer usei o termo criancinha, isto promete).”

https://www.eagoraseila.pt/nao-deixai-vir-a-mim-as-criancinhas-439277

“a primeira noite que passei sem ti não foi o descanso que imaginei. (…) ficaste com a avó. sonhei com aqueles dois dias. quando cheguei ao cimo da rua naquela manhã solarenga, um aperto profundo entalou-me a garganta e quis chorar. ficavas para trás? não te levava? e a tua avó, eufórica, o fim de semana contigo ao colo, e eu com uma vontade louca de voltar para trás, agarrar-te com força e levar-te. -https://www.eagoraseila.pt/6-meses-o-resumo-1235106

“há criancinhas mesmo muita feias (…).

e eu nem saberia se não fossem as mães insistirem em colocar fotografias delas na net.

mas mesmo muita, muita, muita feias!

mais feias que a lili caneças antes da operação às trombas!”

https://www.eagoraseila.pt/e-ja-que-estamos-na-onda-446579

 

caí nos clichés todos.

ontem, enquanto fazia o jantar, enumerava-os pelos dedos das mãos, mentalmente.

não houve um filho da mãe de um cliché que não me fosse escarrapachado em cima: (…)

o achar que não havia miúdo mais giro naquela maternidade;”

https://www.eagoraseila.pt/nao-sao-banalidades-1228888

 

Pois é, meus senhores. Eis a ironia da coisa.

Este blog é, atualmente, um blog familiar.

Convenci-vos que devia ganhar isto tudo mais não fosse para poder premiar a minha própria ironia com um galardão importante como este?

Caso não tenha convencido, vide as respostas às questões colocadas pelos donos disto tudo, perdão, organizadores disto tudo:

Conta-nos como foi o nascimento do teu blog.

Bem, num bonito dia de novembro, entediada da vida e depois de ter fechado um blog por não pararem de me chatear porque nele escrevia sem filtro, decidi responder à eterna questão que a minha ansiedade me coloca constantemente:

E agora?

E a resposta:

Sei lá.

Pronto, foi assim.

Como tem sido a interação com outros bloggers?

Antes de parir era excelente. Tinha muito tempo – e vontade, sobretudo vontade – para ler, cuscar, conhecer, interessar-me pela vida alheia. Portanto, conhecia muita gente, falava com muita gente e ria com muita gente.

Depois que engravidei e pari a minha vontade diminuiu e a minha paciência também.

A dinâmica dos blogs que conhecia também mudou um pouco. Estamos todos mais politicamente corretos, temos todos os mesmos títulos, guiamo-nos todos pelas mesmas regras. Escrevemos todos sobre o mesmo. Acho eu, que pouco vou lendo, ultimamente, e guio-me mais pela “rama” (por isso posso estar a dizer muita asneiras).

Seja como for, há 4 ou 5 bloggers com que me relaciono quase diariamente, sobretudo as meninas da minha seita sem glúten. Pelo que, provavelmente, a minha interação continua a ser maior do que outras gentes que escrevem em blogs.

O que achas que leva as pessoas a gostarem do teu blog e a seguirem-te?

Não sei. Juro que não faço ideia. Antes achava que era a minha capacidade de destilar asneiredo. O pessoal vinha ver como quem assiste a uma espécie de acidente de viação. Sente um ligeiro incómodo, mas a curiosidade ganha. Depois, achava que era pela minha presença. Estava tão presente nisto que era quase mobília da casa e as pessoas iam passando para ver se tinha ofendido alguém e alguém tinha ofendido a mim.

Agora, tendo em conta que no último ano escrevi praticamente 12 posts (boa média, não?) não sei. Talvez haja gente a passar por aqui – não muita - pela curiosidade de tentar perceber como é que alguém tão acirradamente anti-criancinhas e espírito queixinhas se dá na criação de um bebé que, ainda por cima, come acendalhas.

Consideras que o teu blog está bem categorizado nos Sapos do Ano?

Não.

Pronto.

É um ponto de honra. Quer dizer, uma pessoa escreve mil posts assumindo-se como uma espécie de anti-cristo das famílias, apregoa todas as coisas horríveis que significa ser mãe, jura que jamais vai passar pela cena e depois, só porque casa, emprenha, vai parir e tem uma cria, já tem um blog familiar?

É tipo como, sei lá, se no último ano, nos incontáveis (foram 12) posts que escrevi só tivesse falado sobre o assunto “maternidade”.

E a verdade é que… pois, falei.

Pronto.

Se calhar está bem.

Portanto, em resumo: isto é um blog familiar e agora só se dizem as palavras como “foscas, com um caneco, oh meu amigo, valha-me deus e bolas”.

Ai.

Quem levarias contigo para a ilha de Adão e Eva?

Para responder a isso precisava de saber que ilha é essa.

Os nossos antepassados da maçã e da cobra viviam numa ilha? Não era no paraíso? O paraíso é uma ilha? Se sim, qual? Chama-se mesmo a ilha de adão e eva? Não é o edem?

Como não sei, prefiro acabar isto como deve de ser (atentem que tento aproximar-me do blogger comum ao escrever deve de, devia ganhar pontos) e responder à questão que nunca ninguém me colocou, mas que devia terminar toda e qualquer conversa, barra, entrevista, barra coisada em que alguém fala:

O que dizem os teus olhos?

Pois os meus olhos, gente, atentai, dizem-me que estou velha e que, por isso, segundo o oftalmologista, é normal que veja as sombras que comecei a ver há dias e que julgava ser um descolamento da retina.

É nada, disse-me ele, é apenas da idade.

Estou velha, meus senhores, e isto não é uma metáfora ou comédia.

Portanto, faz favor de serem todos muito politicamente corretos e votar nesta idosa.

Afinal… o lema é “não matem os velhinhos”.

Paz!

 

Podem votar nesta final aqui

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