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Sapos do Ano

Evento independente que visa premiar os melhores blogues da nossa praça (não ligado a qualquer plataforma/empresa ou entidade)

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24.11.19

Finalistas 2019 - Kiosk da Joana

Hoje conversámos com uma das finalistas do Sapos do Ano, na categoria Família, a Joana. Ela é autora do blog Kiosk da Joana.

  1. Conta-nos como foi o nascimento do teu blog. O meu blog nasceu num dia de férias! Em 2016 estava eu feliz e contente com dois dias de férias. Mal eu sabia que eram os únicos dias de férias que ia ter esse ano. Devo ter achado que estava com tempo livre a mais. E de repente, à tardinha, pensei: - E se tivesse um blog? A ideia não era nova. Já tinha tido montes de blogs. Mortos antes da publicação do terceiro ou quarto post. Não se esperava vida diferente para este. Tem andado meio adormecido mas ainda respira e já tem mais de 1000 posts publicados.
  2. Como tem sido a interação com outros bloggers? Excelente. É esta a magia de estar no Sapo. Mas, não só com outros bloggers, também com muitas das pessoas que visitam o blog. A parte melhor é essa…
  3. O que achas que leva as pessoas a gostarem do teu blog e a seguirem-te? Mistério. Mistério. Não sei. Suspeito que o mérito é do Vasco…
  4. Consideras que o teu blog está bem categorizado nos Sapos do Ano? Não sei quando nem como o Quiosque se tornou num blog de família. Não foi criado com essa intenção. Mas...fico feliz por estar nesta categoria. Sou cada vez mais uma pessoa de família. E por isso é natural que o blog reflita essa situação.
  5. Quem levarias contigo para a ilha de Adão e Eva? Sendo este um blog que concorre na categoria família, é óbvio que não interessa o destino, aliás nem sabemos muito bem para onde vamos, mas, temos a certeza que a viagem é feita com todos e por todos: Pedro, Alice, Mariana, Luísa, Vasco, Gabi, Liliana e Joana.

 

E ainda deixou-nos uma mensagem:

Caramelos!

Daqueles de nata, cremosos. BONS!

Lisboa.

Campo de Ourique.

Anos 80. Século passado.

 

Vivíamos num segundo andar. Numa das ruas principais do bairro.

Dois prédios abaixo do nosso prédio estava a mercearia do Senhor Zé.

Zé Maria. Vendia tudo e mais alguma coisa. Incluindo rebuçados de fruta.

 E caramelos.

Daqueles de nata, cremosos.

BONS!

Que ficavam presos no último dente da boca, aquele mesmo lá ao fundo onde a língua não chega.

 

A minha mãe fazia lá as compras e quando eu ia com ela o Senhor Zé Maria abria um frasco grande de vidro, tirava a tampa e dava-me rebuçados.

 Eu.

Escrutinava cada um deles.

A minha mãe olhava para mim com olhos furiosos. Sabia o que ia sair dali. E tinha medo do que ia sair dali.

Depois de examinar cada um dos rebuçados. Abria a boca.

A minha mãe ameaçava espancar-me com o olhar mas eu não queria saber.

- Ó Senhor Zé Maria podia trocar este rebuçado de laranja por um de limão e este pêssego por um de cereja ou de morango? Pode também acrescentar um caramelo??

Confirmavam-se os piores receios da minha mãe.

Já me tinha avisado. Falado. Conversado. Ameaçado.

- Quando nos dão alguma coisa, MESMO que não gostemos, aceitamos e dizemos obrigada!

Eu até percebia esta parte. Mas não ia ficar com os rebuçados de laranja que eram demasiado enjoativos e os de pêssego? Nem pensar. Não tinha feito mal a ninguém…

 

Às vezes.

 Muitas vezes.

A minha mãe chegava a casa e percebia que lhe faltava alguma coisa.

Ou então.

Era tarde. E tinha acabado o Tulicreme. Bem de primeira necessidade da minha pessoa.

Antes que o berreiro se instalasse lá em casa. A minha mãe. Ligava para a mercearia.

A magia acontecia.

A minha mãe atava uma corda a uma cesta e punha dentro de um saquinho, o dinheiro e uma maçã para fazer peso.

Baixava a cesta.

O Senhor Zé Maria. Estava cá em baixo à espera.

Tirava o dinheiro.

Depositava o Tulicreme na cesta. E o troco dentro do saco com a maçã.

Em cima. Eu. Aguardava com ansiedade que o milagre acontecesse.

A minha mãe puxava a cesta.

- Mais depressa. Mais depressa.

Gritava eu.

E a cesta lá aparecia.

Com o Tulicreme. A maçã e o troco. Ah! E uns rebuçados de limão, morango, cereja e caramelos! Daqueles de nata, cremosos.

 BONS!

Que ficavam presos no último dente da boca, aquele mesmo lá ao fundo onde a língua não chega.

Acreditem.

Escrever no Quiosque é mais ou menos como lançar uma cesta ao Senhor Zé Maria da mercearia do bairro de Campo de Ourique.

Sai um post escrito por mim. E fico à espera…

...na volta. Quando volto a espreitar.

As vossas visitas são como rebuçados de fruta. Limão. Morango e cereja.

Os vossos comentários são como caramelos.

Daqueles de nata, cremosos.

BONS!

Que ficam presos na minha lembrança e no meu coração.

 

Podem votar nesta final aqui

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